Recentemente, o ganhador do prêmio Nobel em Economia de 2017, Richard H. Thaler, ganhou popularidade na imprensa por abordar um tema muito comum entre os brasileiros: os gastos irracionais. O conceito de contabilidade mental é o que faz muitas pessoas perderem dinheiro e se endividarem, pois consideram apenas, segundo o especialista, a satisfação imediata.

Contabilidade mental e necessidade imediata

A explicação é muito simples: se você precisa de um financiamento para comprar um carro, calcula rapidamente quanto terá que pagar por mês, sem considerar as taxas de juros que serão cobradas. Basicamente, não tem tempo de refletir direito e tem foco apenas em satisfazer uma necessidade imediata. Em um primeiro momento, não verifica que o excedente de taxas e juros poderia ser aplicado em outro bem e o quanto isso poderia fazer diferença em seu bolso.

contabilidade mental

No caso do empreendedor individual, por exemplo, é a mesma coisa: tem uma renda satisfatória por mês, mas não consegue guardar dinheiro para uma futura aposentadoria, já que esta não é uma preocupação imediata. As decisões consideram apenas custos e benefícios e são sempre superficiais.

Imediatismos

Estas decisões são sempre parciais e imediatistas, muitas vezes movidas pela emoção. As decisões econômicas possuem frequentemente um foco específico, o que simplifica as análises sem considerar todas as alternativas e consequências – conforme Thaler, que passou boa aparte de sua carreira estudando a economia comportamental e a psicologia por trás das decisões econômicas.

Recentemente, compreendeu-se que este estudo têm impacto profundo no segmento e na vida das pessoas como um todo e em todo o mundo. Uma situação comum entre os brasileiros é comum também à maioria das pessoas do planeta, e isso afeta diretamente a economia e a sociedade.

Por que isso acontece?

O primeiro fator apontado por Thaler é o tempo, no caso, a falta dele durante as decisões. A outra justificativa é o hábito. Isso faz com que nos organizamos e tomamos decisões criando contabilidade mental em diferentes maneiras na nossa mente, que nos enganam e que, muitas vezes, nos fazem perder dinheiro. A falta de tempo, o hábito ruim e a comodidade fazem com que as pessoas percam dinheiro e oportunidades diversas.

Outra descoberta da pesquisa de Thaler é que a comodidade supera a informação de muitos modos. Por exemplo, por mais que tenhamos acesso às informações adequada para ter uma boa alimentação, se no supermercado os alimentos mais saudáveis estão nas prateleiras mais altas (na linha de visão do consumidor), ele tem mais chances de comprá-los por estarem mais visíveis do que serem melhores para a saúde ou ainda terem um preço melhor/pior. A era da informação existe em paralelo à era da comodidade.

Imprevistos e impulsividade

Há muitas nuances comportamentais abordadas pelo estudo sobre contabilidade mental de Thaler e em seus livros. Além dos aspectos já citados, há outro comportamento muito comum entre os brasileiros: gasta-se mais de forma impulsiva com o dinheiro ganho de modo imprevisto. Ou seja, se houve um ganho imprevisto em determinado mês, este valor tem mais chances de ser gasto impulsivamente do que ser economizado.

O perfil do brasileiro

O cientista da chamada contabilidade mental não fala especificamente do caso brasileiro, mas é fácil notarmos que no Brasil, além da falta de cultura e educação básica em finanças pessoais e economia, esbarramos em crenças limitantes em relação ao dinheiro, o que também à perpetuação de um padrão de hábitos ruins e imediatistas, podendo, conforme Thaler, impactar negativa e diretamente na economia e na sociedade. No entanto, trata-se de um padrão comportamental, que pode ser mudado.

Veja também: Gestão do Tempo – Utilize o tempo como um recurso

Você também já teve problemas com gastos irracionais? Deixe um comentário!

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